Todo procedimento endovascular é uma combinação de poucos tipos de dispositivo. Aprendê-los um a um, com o que muda dentro de cada família, é o caminho mais curto para entender qualquer procedimento novo — inclusive os que você ainda não viu.
Introdutor
A bainha que mantém o acesso aberto. Tem uma válvula que impede sangramento e uma via lateral para infusão e aspiração. Todo o resto entra por ele.
O que muda: calibre em French, comprimento, revestimento hidrofílico, e se é um introdutor comum, longo ou armado — estes dois últimos usados quando se precisa atravessar um trajeto tortuoso ou dar suporte adicional.
Atenção a uma confusão clássica: o French do introdutor se refere ao diâmetro interno, enquanto o do cateter se refere ao externo. Por isso um cateter 6F passa por um introdutor 6F.
Fio-guia
O que navega primeiro e por onde todo o material sobe. É o dispositivo mais barato da mesa e o que mais decide se o caso anda.
O que muda: rigidez do corpo, que define o suporte; transição entre corpo e ponta; formato da ponta — reta, em J, angulada, moldável; revestimento hidrofílico ou não; e diâmetro, tipicamente 0,014", 0,018" ou 0,035" conforme o território.
A manobra mais comum de todas: trocar um fio macio de navegação por um fio de suporte antes de subir um dispositivo pesado.
Cateter
Tubo que leva contraste, dá suporte ou entrega dispositivo. As curvas existem para encaixar em anatomias específicas — cada nome corresponde a um desenho pensado para um óstio ou um ângulo de saída.
Divide-se em diagnósticos, mais finos, usados para injetar contraste, e cateteres-guia, de parede reforçada e lúmen maior, que sustentam a passagem de balões e stents.
Balão
Dilata a lesão, prepara o vaso ou entrega droga. O parâmetro que quase ninguém lê é a tabela de complacência impressa na embalagem: ela informa qual diâmetro o balão atinge em cada pressão.
Famílias principais: semicomplacente, que cresce mais com a pressão e serve para preparo; não complacente, que mantém o diâmetro e serve para pós-dilatação; farmacológico, que entrega droga à parede; e os de corte ou scoring, para placas resistentes.
Dois números importam: pressão nominal, em que ele atinge o diâmetro declarado, e pressão de ruptura, que não deve ser ultrapassada.
Stent
Malha que mantém o vaso aberto. Balão-expansível para precisão e força radial; autoexpansível para vasos móveis e de calibre variável; farmacológico para reduzir reestenose; coberto para excluir aneurisma ou selar perfuração.
Molas e agentes de embolização
Quando o objetivo é fechar em vez de abrir: sangramento ativo, aneurisma, malformação, nutrição de tumor. Molas ocupam o espaço e induzem trombose; partículas ocluem o leito distal; agentes líquidos penetram onde os outros não chegam. A escolha depende do que se quer ocluir e de quão permanente deve ser a oclusão.
Endoprótese
Um tubo de tecido sustentado por estrutura metálica, usado para excluir um aneurisma ou tratar uma dissecção de aorta. Existe em versões reta, bifurcada, ramificada e fenestrada — estas duas últimas com aberturas que preservam o fluxo para artérias importantes que saem da aorta.
É o dispositivo que mais depende de medida prévia: diâmetro, comprimento, zonas de ancoragem, angulação e qualidade do acesso são definidos na tomografia antes do procedimento.
Dispositivos de selamento arterial
Fecham o sítio de punção ao final do procedimento, por sutura, tampão ou clipe. Reduzem o tempo de compressão e permitem mobilização mais precoce. Também têm complicações próprias, o que mantém a vigilância do sítio obrigatória.
Como eles se combinam
Um caso típico de angioplastia periférica usa: introdutor no acesso, fio-guia de navegação, cateter diagnóstico para mapear, troca para fio de suporte, balão para preparar, stent para manter aberto, balão não complacente para ajustar, e dispositivo de selamento no fim. Sete dispositivos, uma sequência.
Os procedimentos mudam de nome e de território. Os dispositivos e a ordem em que entram são quase sempre os mesmos.
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